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By 27 Novembro, 2025No Comments

Em 1411, D. João I rei de Portugal, concedeu a Gonçalo Lourenço de Gomilde, seu escrivão e alto funcionário da Coroa, um alvará para instalar, junto à ponte dos Caniços, a ponte mais antiga de Leiria, já assim designada à época tinha um moinho destinado, entre outros ofícios, à produção de papel. No entanto, apenas no final desse século, com o estabelecimento da imprensa hebraica em Leiria, na Judiaria situada junto da atual Igreja da Misericórdia (então Sinagoga), propriedade do judeu Samuel Ortas e dos seus três filhos, surgem provas claras da existência desta fábrica.

Expulsos de Castela, os Ortas fixaram-se em Leiria e aí instalaram a primeira imprensa hebraica portuguesa, não só porque na região já se produzia papel há muito, mas também porque o comércio desse produto era monopolizado por mercadores judeus. Esta tipografia viria a ter um papel determinante para os Descobrimentos Portugueses. No final do século XV, já sob a direção de Abraão de Ortas, foi nela impresso o Almanach Perpetuum, em 1496. No final da obra surge uma alusão direta à cidade: a expressão “Fub celo leyree”, que traduzida literalmente significa “sob o céu de Leiria”.

Abraão Zacuto, ilustre docente de astronomia e astrologia na Universidade de Salamanca, viu-se igualmente forçado ao exílio quando os judeus foram expulsos de Espanha em 1492, na sequência do decreto dos Reis Católicos, que impunha a conversão ao cristianismo ou a saída do país. As suas obras, escritas entre 1473 e 1478, continham as famosas tábuas astronómicas, fundamentais para o funcionamento do “primeiro GPS do mundo”: o astrolábio. O Almanach Perpetuum reunia tábuas quadrienais que apresentavam correções essenciais para previsões posteriores a 1476.

A precisão destas tábuas tornou-as referência para outras tabelas destinadas aos navegadores, indicando os resultados dos cálculos necessários segundo Zacuto. A partir delas derivaram todas as tábuas solares quadrienais produzidas em Portugal até à publicação das Tábuas do Sol de Pedro Nunes. Zacuto foi ainda responsável por um novo e aperfeiçoado astrolábio, que ensinou a utilizar aos navegadores portugueses, e por tábuas astronómicas melhoradas que orientaram as caravelas no alto-mar. Estas tabelas foram publicadas numa tipografia de Leiria.

Munidos destes novos instrumentos e sob o comando do experiente capitão Bartolomeu Dias, os portugueses conseguiram, em 1488, dobrar pela primeira vez o Cabo das Tormentas com duas caravelas, após longa e atribulada viagem. As embarcações enfrentaram violentas tempestades características daquela região africana, quase naufragando. Dias depois, o cabo foi finalmente avistado e iniciaram-se as manobras de regresso. Ao contornarem o cabo, perceberam pela primeira vez a ligação entre o Atlântico e o Índico — o caminho ideal para chegar às Índias.

Desasseeis meses após o início da expedição, Bartolomeu Dias regressou a Lisboa com os sobreviventes e relatou ao rei os feitos alcançados. D. João II decidiu então renomear a passagem como Cabo da Boa Esperança, dadas as promissoras possibilidades que abria à Coroa. A partir desta descoberta, Portugal iniciou um período glorioso da sua história: as conquistas marítimas. O incentivo régio à exploração colocou o reino numa posição privilegiada na Europa, sustentado por conhecimentos náuticos inteiramente novos, fruto da colaboração entre astrónomos e navegadores.

Em 1492, Cristóvão Colombo descobriu a América. O rei de Espanha procurou o Papa Alexandre VI, que através da bula Inter Coetera atribuiu à Espanha as terras descobertas a 100 léguas a oeste de Cabo Verde. Para evitar conflitos entre as duas potências ibéricas, ambos os reinos abriram negociações que culminaram no Tratado de Tordesilhas, assinado a 4 de junho de 1494. Este acordo visava resolver disputas territoriais sobre as novas terras exploradas.

As primeiras formas de seguro em Portugal estiveram, desde o início, intimamente ligadas à atividade marítima e aos Descobrimentos. Por isso o Tratado de Tordesilhas teve também grande importância neste domínio.

Em 1498, Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para a Índia e, dois anos depois, Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil.

A necessidade de uma regulamentação jurídica mais sólida levou um português a redigir o primeiro tratado de seguros do mundo. Em 1552 foi publicado pela primeira vez o livro de Pedro Santarém (ou Pedro Santerna), Tractatus de Assecurationibus et Sponsionibus Mercatorum, um dos mais antigos estudos jurídicos sobre o contrato de seguro. Escrito originalmente em latim, foi posteriormente traduzido para português por iniciativa do Professor Moses Bensabat Amzalak, esclarecendo a nacionalidade do autor — por vezes erroneamente apontado como italiano — e também para francês e inglês.

Mais tarde, Miguel Pinto Menezes contribuiu decisivamente para a divulgação desta obra, ao publicá-la em 1958, acompanhada de um estudo do Professor Amzalak. Pedro de Santarém nasceu na cidade que lhe deu o nome e exerceu funções de agente de negócios de Portugal, equivalente ao atual cargo de cônsul, em diversos centros comerciais europeus. Sabe-se ainda que viveu longamente em Itália, onde foi jurisconsulto e agente de negócios em Florença, Pisa e Liorne.

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